Paulo Hobbs é um dos grandes nomes do vinho americano, tendo começado sua carreira na Vinícola de Robert Mondavi, onde integrou o time com do Opus One. Em 1991 fundou sua própria vinícola e, em 2005, Robert Parker concedeu 100 pontos ao seu Cabernet Sauvignon 2002.
O Cabernet Sauvignon 2002 eu não tive a oportunidade de degustar, mas o 2005 sim! Um belíssimo vinho, de boa estrutura e intensidade. Rico em aromas, apresenta notas frutas de negras bem maduras, como amoras, e também couro, chocolate, tostado e tabaco. Um vinho de cor e paladar densos. Taninos ainda bem marcados e acidez correta. A madeira deixa traços de baunilha e café na boca. Envolvente e longevo, que aguenta mais uns bons anos na garrafa.
O vinho exige um pequeno investimento, mas que no quesito Preço-Prazer tem saldo bem positivo. Importado pela Mistral: R$297,25.
Com a intenção de criar um novo formato para seus Wine Dinners, o restaurante americano Farmhouse, localizado em Russian River Valley- Califórnia, criou uma espécie de Iron Chef para sommeliers. Convidaram 9 profissionais de peso para competir, ao longo de três meses, em uma série de jantares promovidos pelo Chef Steve Litke. A cada jantar 3 sommeliers se enfrentarão na difícil tarefa de harmonizar um vinho com cada um dos quatro pratos do menu.
Cada um receberá um budget generoso para escolher os vinhos, sem restrições quanto a preço, região ou cepa. O ganhador de cada um dos três jantares se encontrarão para o confronto final no dia 9 de abril, quando um deles será escolhido e levará para casa US$1.000.
Estão competindo: Shelly Lindgren do A16, Yoon Ha do Benu, Eric Railsback do RN74, Desmond Echavarre do The French Laundry, Ian Cauble do Ritz Carlton Half Moon Bay, Kevin Reilly do Cyrus, Michael Ireland do Meadowood, Emily Wines do the Kimpton Group e Sur Lucero do Oenotri. Estes serão supervisionados pelo diretor de vinhos do restaurante e Master Sommelier Geoff Kruth. Cada jantar sai US$165 ou US$600 toda a série.
Acabo de voltar de Nova York, onde passei dez dias incríveis e gulosos! Foram vários restaurantes, mas a refeição mais especial foi um jantar harmonizado no Daniel, o mais famoso dos restaurantes do chef Daniel Boulud, eleito o 11o melhor restaurante do mundo em 2011.
O menu escolhido foi o de três pratos e três vinhos, por US$168, mas acabamos ganhando uns agrados extras (!!). O programa foi todo muito especial e com harmonizações maravilhosas, mas uma das coisas que mais me encantou foi o serviço do restaurante. Isso porque em um lugar com este porte é difícil encontrar o meio termo entre o tratamento forma e o amigável, mas eles acertaram em cheio! Formal, but friendly, bem diferente do serviço dos restaurantes franceses de alto padrão, sempre tão formais.
Bom, neste cardápio de 3 pratos, vocês escolhe uma entrada de uma lista com uma quantidade razoável de opções e o mesmo para o prato principal e a sobremesa. Com base na sua escolha o sommelier escolhe o vinho que irá acompanhar. Além de simpático e extremamente profissional, o sommelier nos surpreendeu em todos os momentos! Foi uma experiência deliciosa e altamente recomendada!
Abaixo o nosso cardápio:
Dos vinhos degustados, e extremamente bem harmonizados, fiquei encantada com o Chasselas Vieilles Vignes do Schoffit 2007 e o Rioja ” Viña Tondonia” 1993 do Lopez de Heredia. O Chasselas surpreendeu não só pela qualidade, mas também pelo caráter inusitado já que costuma ser a cepa dos vinhos brancos mais simples de mesa da Alsácia e de Pouilly-Sur -Loire. Já o Rioja branco surpreendeu pela riqueza, corpo e peso na boca apesar dos 18 anos de idade.
O tinto do Rhône que acompanhou a carne de veado não ficou para trás: ” Offérus” 2007 do Domaine Jean-Louis Chave , da AOC de Saint Joseph. Havia muito tempo que eu queria degustar um vinho deste Domaine, um dos mais tradicionais e prestigiados do Vale do Rhône, que por sua vez é umas das minhas regiões preferidas! Um vinho de profundidade e complexidade aromática, redondo e macio que envolveu muito bem a carne que era acompanhada de um confit de grapefruit no vinho tinto e repolho roxo refogado.
Quanto ao Riesling alemão da região do Mosel “Graacher Himmelreich” 2008 do Dr. F Weins-Prum, caiu muito bem com a terrine de pato! A tradicional dupla de terrine de fígado com sauternes muitas vezes não é a mais adequada dado o alto nível de doçura do sauternes. Neste caso, o vinho tinha um pouco de açúcar residual, mas não era doce, se mostrando uma opção mais sensata para se começar uma refeição.
Para finalizar, um Tokaji 5 puttonyos 2000 do Château Pajzos para acompanhar 3 sobremesas diferentes: biscoito do tipo bretão com um crisp caramelizado de maçã, creme de Calvados e sorvete de confit de maçã; um biscoito de abóbora, biscoito do tipo Speculoos e sorbet de cranberry; por último, um Petit gateau de chocolate, caramelo, flor de sal e sorvete de leite.
Vinhos californianos são muito bons e tenho dado cada vez mais espaço para eles no meu dia-a-dia. Artemis é um delicioso Cabernet Sauvignon (com um toque de merlot) feito pela Stag’s Leap Wine Cellars, vinícola que começou nos anos 70. Um vinho ruby com aromas de pimenta preta, tabaco e couro, além de frutas negras. Possui acidez e taninos marcados e equilibrados que, junto ao álcool, resultam em um vinho de ótimo corpo. Apesar de estar pronto para ser bebido, ainda pode melhorar com alguns anos na garrafa. Acompanha bem carnes vermelhas e cozidos.
Para promover o Festival de Filmes de Sonoma 2011, foi criada uma animação cujo personagem principal é Tipsy, uma garrafa de vinho tinto bem humorada. Com um sotaque francês, ela vai cantarolando sobre o festival e como gosta, além dos filmes, de comer e beber bem. Ao longo da apresentação o nome da garrafa vai fazendo sentido, já que ela bebe um pouco demais.
Uma animação bem bonitinha que se aproveita da fama dos bons vinhos da região para divulgar o festival. Confira:
Quando ganhei o livro Been Doon So Long- A Randhall Grahm Vinthology do meu amigo updater Wagner Brenner, não tinha ideia do que se tratava. De cara, achei um livro bem bonito, mas só. Aos poucos fui desvendando o que se mostrou um livro peculiar e bem interessante. Seu autor, Randhal Grahm, é um irreverente enólogo californiano criador do Bonny Doon Vineyard e tido por muitos como visionário.
Com um prefácio de ninguém menos que Hugh Johnson, o livro traz paródias hilárias de grandes literaturas -Kafka, Dante e James Joyce entre outros. Além disso, traz poemas e músicas conhecidas ao redor do mundo. O livro é diversão garantida e está a venda na Livraria Cultura por R$ 80,04, conforme o link.
Abaixo, “Your Wine”, uma das muitas letras que fazem parte de Born to Rhône, uma ópera rock. Para acompanhar (tipo um sing along!), clique no link que te levará a música na qual é baseada: “Your Song”, de Elton John:
YOUR WINE
It’s a little bit funny, the contents inside
It’s not one made from grapes that are frozen or are dried
It doesn’t cost much money, but boy if it did
I’d build a big winery where I’d indulge my id
If I were George Vernay, no, make that Alain Graillot
Or a rich vigneron who had beaucoup de tonneaux
I know the wine’s quite sweet, but it’s the best I can do
The grape is Viognier, and this is one is doux
And you can tell everybody how cool is this wine
It may be a little simple, but it’s not too mainline
I hope you don’t mind
I hope you don’t mind that certain je ne sais quoi
Or how great it pairs with a slab of foie gras
The grapes sat on the vine, nearly gathering moss
A few of the funkier bunches we just had to toss
But the sun was quite warm, with the grapes getting ripe
It’s for becs fins like you, who enjoy wines of this type
So excuse me forgetting, but these things I do
You see I’ve forgotten if the leaves are lobed or entire
A Lords of Salt resolveu aproveitar a fama dos vinhos feitos de Pinot Noir e Chardonnay na região de Oregon (Estados Unidos). Além de cor, eles dão pitadas de fruta a seus sais. Custa US$39,95 cada.
Os Estados Unidos estão entre os maiores produtores de vinho do mundo, sendo a Califórnia responsável por 90% da produção total. A história do vinho na Califórnia começa no século XVIII quando missionários espanhóis plantaram as primeiras vinhas para o consumo cotidiano e para seus cultos religiosos. Porém, em meados do século XIX o fungo Filoxera atacou de maneira desastrosa os vinhedos americanos. Esse desastre foi seguido, em 1920, pela proibição do álcool em todo o país. Tal proibição vigorou até 1933, quando restava uma centena vinhedos. Foi só nos anos 1960 que a Califórnia se recuperou e começou a mostrar seu potencial para o mundo.
Sua superfície viticultora é de aproximadamente 390.000 hectares, onde encontramos solos, climas e variedades de uvas diferentes. As principais variedades usadas para vinhos tintos são Zinfandel, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Barbera, Grenache e Pinot Noir. Já as principais variedades para os vinhos brancos são White Zinfandel, Chardonnay, Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Riesling. Sobre as variedades das uvas é interessante saber que quando alguma delas está indicada na etiqueta do vinho, não significa que ele seja 100% de tal variedade. Segundo a regulamentação local, o vinho deve ter um mínimo de 75% da mesma uva. O resto fica a critério do produtor. Dentre essas cepas, encontramos muitas típicas da França e que são, muitas vezes, vinificadas à francesa. Os vinhos que imitam o estilo de Bordeaux são conhecidos como “Meritage” e os que são feitos no estilo do Vale do Rhône como “Rhone Rangers”.