Arquivo da categoria ‘Endereços’

12 ago 2011
por Helena Mattar

Fui conhecer o Divine Wine Bar, que como o próprio nome já diz é um bar dedicado aos vinhos. Aqui no Brasil esse conceito ainda é novidade, mas na França os Bar à Vin são comuns e são encontrados partout!

A pequena portinha fica no número 1.844 da Alameda Jaú, no Jardins (São Paulo). Um lugar bem pequeno, mas muito charmoso, onde uma parede de pedras remete às caves mais rústicas. Há um balcão, algumas mesinhas, sofás e uma adega que fica à vista dos clientes um patamar acima. Se não fosse pela música alta no estilo dance, o clima seria mais intimista.

A carta traz 60 rótulos entre espumantes, champagnes, tintos leves e encorpados, brancos, rosés e vinhos de sobremesa. Em termos de quantidade, a oferta é grande e diversificada. São rótulos menos conhecidos, de importadoras e produtores menores como eles mesmo avisam no site. Uma bela iniciativa.

Há um cardápio com petiscos para acompanhar a bebedeira. Pedi a simpática tábua de queijos (R$48)  para acompanhar meu Katnook Founder’s Block Cabernet Sauvignon 2005 (Coonawarra, Austrália). O vinho era bem macio e equilibrado, com aquela boa concentração de frutas negras maduras e um toque de madeira dos autralianos. Ele custa R$110, mas existem opções mais em conta.
Por curiosidade, acabei pedindo um Blue Velvet, um drink feito com o espumante nacional Valmarino Churchill e licor de violetas. Decepcionou, pois era muito enjoativo, além de caro: R$30. Vale ressaltar a simpatia e bom treinamento dos garçons que ofereceram uma taça do espumante no lugar do drink.

(foto: Revista Época)

Ficou faltando brincar no Enomatic, aparelho que serve diferentes doses de vinhos sem deixar que eles oxidem. Ou seja, é possível beber- ou apenas bebericar- vinhos mais caros por preços mais acessíveis.

Apesar de pecar no estilo musical- que não combina com o clima do bar- vale a pena conhecer o Divine Wine Bar, pois ele traz uma proposta interessante e bem executada.

Funcionamento: de terça a domingo, das 19h à 1h / Telefone: (11) 3063-3961

24 jul 2010
por Helena Mattar

Em um dos meus últimos dias em Paris fui com a minha família ao Le Chateaubriand, recentemente eleito 11º melhor restaurante pela St Pellegrino World’s 50 Best. O lugar começa por surpreender logo de cara, pois não há nada de luxuoso como nas “grandes tables” super estreladas.

O chef Iñaki Aizpitarte montou o restaurante que sempre quis com uma comida de qualidade e preço acessível. O lugar é simples, com uma decoração de bistrôt moderno e um staff jovem e descolado. O cardápio é único e por 45 euros  come-se pequenas entradas, uma carne, um peixe e um prato de queijos ou uma sobremesa. Tudo muito bom, cheio de cores, texturas e combinações inusitadas. Só não tenho fotos dos pratos, pois a qualidade da minha câmera não iria fazer jus à comida.

Para acompanhar, pedimos um Château Meylet, Saint Emilion Grand Cru, safra de 1998. Estava uma delícia! Por ser ali da margem direita do rio Dordogne, ele é majoritariamente merlot (80%), complementado pela cabernet franc (20%). O cultivo é biodinâmido desde 1987 tendo sido Michel Favard, o proprietário, o pioneiro neste tipo de culivo na região de Bordeaux. O vinho não passa nem pela filtração e nem pela collage (método para clarificar o vinho que utiliza um produto gelatinoso – às vezes clara de ovo- para retirar partículas em suspensão).

Tinha uma cor vermelha já alaranjada e no nariz já demonstrrava seus 12 anos, com aromas mais desenvolvidos que lembravam estábulos. Porém, as frutas vermelhas maduras continuavam lá.  Na boca, se mostrou bem estruturado e equilibrado. Dada a idade, seus taninos já estavam um bocado macios e agradáveis. Um vinho que além de saboroso possui muita autenticidade.

Le Chateaubriand: 129 Avenue Parmentier, 75011 Paris, França. Tel: +33- 0143574595

8 jul 2010
por Helena Mattar

Hoje fui almoçar no Chez Janou, um restaurante simpático que fica no bairro do marais, com cozinha típica da região sul da França. A carta de vinhos, que segue o mesmo tema, apresenta muitas opções do Vale do Rhône, tanto meridional quanto setentrional, e algumas opções da Provence. Como cada pessoa pediu um prato muito diferente do outro, desistimos de tentar harmonizar e decidimos pedir um vin rouge. Muitos dos rótulos eram do famoso M. Chapoutier, importante produtor que merece algumas linhas deste post.

Sua história começa em 1879 quando Polydor Chapoutier plantou as primeiras vinhas. Depois foi a vez de Max Chapoutier herdar os negócios até meados dos anos 70, quando assumiram seus filhos, Marc e Michel. Os dois irmãos, por sua vez, se deram conta de que o mercado estava mudando muito e que os consumidores anseavam por qualidade e não quantidade. Assim, Marc ficou encarregado da parte administrativa enquanto Michel se encarregou dos vinhedos e da produção, colocando em prática diversas mudanças. Optou pelo baixo rendimento e transformou toda a produção em biodinâmica entre outras coisas. A qualidade de seus vinhos foi aumentando, eles foram ganhando notoriedade e as propriedades foram se multiplicando. Hoje, M. Chapoutier produz vinhos em todas as grandes A.O.C.’s do Vale do Rhône. Além destas, também tem terras na região de Roussillon, em Portugal e na Austrália. Seus vinhos estão dividios em quatro categorias: “Découverte”, “Tradition”, “Prestige” e “Fac&Spera”, sendo a primeira a de vinhos mais básicos e a última de vinhos mais tops.

Voltando ao cardápio do restaurante, nos decidimos pelo Les Arènes 2007 da A.O.C. Cornas. Essa se localiza na parte setentrional do Rhône, o que significa que o vinho é 100% syrah. Classificado como “Fac&Spera”, ele é vinificado de maneira tradicional e passa aproximadamente 12 meses em barris de carvalho. Sua cor é intensa como é característico da cepa. O nariz é cheio de frutas maduras e doces com algumas notas de ervas e pimenta. A boca é intensa, cheia e viva. Pude sentir todas as frutas maduras num sabor que persistiu em minha boca. Ponto para M. Chapoutier!

28 jun 2010
por Helena Mattar

Alphonse Maria Mucha (1860-1939) é um artista tcheco mundialmente conhecido por ser um dos fundadores da Art Nouveau. Mucha (pronuncia-se Murra) pintava, desenhava e esculpia, mas foram os cartazes que fez para a artista francesa Sarah Bernhardt que fizeram dele uma celebridade. Tanto ela quanto o público se apaixonaram por seu trabalho e, a partir dai, sua carreira deslanchou. Mudou-se para Paris e pouco tempo depois seus cartazes estavam por toda parte, fazendo com que ele fosse um dos artistas mais conhecidos no final do século XIX.  Agora, a parte que mais nos interessa é que Mucha teve como clientes grandes marcas de champagne como Ruinart, Moet & Chandon e Heidsieck, para os quais fez lindos cartazes publicitários usando a técnica da litografia. Eu me apaixonei por todos!

Quem tiver a oportunidade de conhecer Praga, não deixe de visitar o Museu Mucha, onde encontram-se mais de 100 obras do artista. Além disso, você pode se deliciar com os souvenirs da lojinha. Eu voltei com lindos marcadores de livros dos cartazes de champagne! Abaixo, alguns de seus trabalhos para as marcas:

(mais…)

12 mai 2010
por Helena Mattar

Mouton Cadet, para os que não o conhecem, é um dos vinhos de Baron Philippe de Rothschild (BPDR). A empresa, que ficou mundialmente conhecida pelo Château Mouton Rothschild (1o Grand cru classé da A.O.C. Pauillac), criou um vinho de primeiro preço de simples Denominação de Origem (A.O.C. Bordeaux) e que existe em tinto, branco e rosé.

Dia 11 de março foi inaugurado o primeiro bar de vinhos Mouton Cadet.  O lugar escolhido para cediá-lo não foi a França, mas a cidade de Guangzhou na China. A ideia foi concebida por Torres China, parceiro e importador exclusivo da BPDR no país. Segundo ele, o bar terá o mesmo conceito do museu que se encontra em Bordeaux.

O bar irá servir não apenas o Mouton Cadet, mas os demais vinhos do grupo como Château d’Armailhac, Château Clerc Milon e o famoso Château Mouton Rothschild. Segundo presidente do BPDR, Xavier de Eizaguirre, em entrevista para a  Decanter News, se o bar vingar, outras unidades serão abertas no país. A China ainda não representa uma grande parte das importações de Mouton Cadet, porém representa um grande problema dada a quantidade de falsificações de garrafas.

Aproveito o post pra contar que enquanto o Mouton Cadet segue sendo considerado como um ótimo vinho mundo afora, aqui na França ele é conhecido como o “vin de marketing”, pra quem muitos torcem o nariz. Eu odeio concordar com franceses, mas desta vez não tem jeito. Que fique claro que ninguém está falando que ele é ruim, mas que ele considerado melhor do que realmente é. A associação com o nome do Barão e o seu vinho premium faz com que ele seja bem visto logo de cara e o bar é só mais uma jogada de marketing. O que muitos não param para ver é que o vinho não é feito nem na mesma propriedade e nem com o mesmo rigor. Aqui na França, ele custa entre 9 e 11 euros enquanto no Brasil sobe pra R$60 (eu sei que existem altas taxas de importação, mas ainda assim). Não estou falando para não comprarem ou deixarem de gostar, mas às vezes precisamos tentar ser menos influenciados pelo que diz a etiqueta. É preciso consumir com moderação e também com critérios.