Arquivo de fevereiro, 2011
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Falando de vinhos
BEBERICANDO + VITO, HELENA MATTAR
Tudo começou quando Helena Mattar resolveu largar a publicidade para ir atrás do que realmente a faria feliz (bom saber que não somos só nós que nos sentimos assim de vez em quando, não?). Enfim, ela fez as malas e se mandou para Paris, onde se inscreveu na primeira turma do Diplôme de Sommellerie do Le Cordon Bleu. Entre degustações e viagens, estagiou no Les Ambassadeurs, o restaurante do famoso Hôtel Crillon.
Foi lá, em Paris, que nasceu o site Bebericando – sobre vinhos e outras bebidas. A motivação para escrever era – e ainda é – uma vontade danada de compartilhar o conhecimento. O site traz textos didáticos, vídeos, endereços, acessórios e gadgets, tudo para nos manter informadas sobre o mundo dos vinhos. É para aprender, mas também para se divertir.
Helena é sommelière do restaurante Vito (se você ainda não conhece, vale uma visita o quanto antes – a gente ama!). Um brinde às nossas paixões!
VITO RESTAURANTE: RUA PASCOAL VITA, 329, VILA BEATRIZ. TEL. (11) 3032-1469.
WWW.BEBERICANDO.COM.BR
O mundo dos vinhos é muito vasto e quem bebe sabe disso. Muitas cepas, países, regiões, climas, estilos de vinhos, leis e, principalmente, rótulos. Porém, atenção: para aprender não basta apenas beber! Digo isso porque estes dias ouvi de um apreciador de vinhos a seguinte frase: “Eu aprendi que para entender de vinho tem que beber bastante. Não adiante ficar fazendo cursozinho de vinho e essas coisas que não adianta nada”. Hummm…. será, Sr. Apreciador Apreciador de Vinhos?!
Acredito que são em pensamentos como este que moram o perigo. É claro que com o passar do tempo vamos bebendo, acumulando conhecimento e repertório. Porém, além de beber, é preciso LER muito, pois a prática e a teoria se complementam. Fato.
Conhecer regiões e cepas nos ajuda a saber o que esperar de um rótulo desconhecido ou então, nos permite dizer se tal vinho é um bom representante da sua denominação de origem. Descobrir como o clima influencia em um vinho nos permite, por exemplo, encontrar na taça as características marítimas de um vinhedo próximo ao mar.
Assim, é possível escolher entre 1)esperar anos e anos para eventualmente aprender essas coisas ou 2) ler o que os profissionais tem para dividir conosco e verificar tudo isso na prática. Nada como ler, beber e conferir para guardar uma informação na memória. Depois de um certo tempo, aquele que leu e bebeu com certeza saberá mais do que aquele que apenas bebeu.
Bebendo E lendo é que se aprende! E lembrem-se: “O mais interessante sobre vinhos é que você nunca irá saber tudo sobre eles”.
Apesar das constantes melhorias na produção do vinho, muita gente ainda sofre de dor de cabeça decorrente da bebida. Após muito pesquisar, a University of British Columbia, no Canadá, desenvolveu uma possível solução: o fermento ML01. Geneticamente modificado, ele permite que a fermentação malolática e a fermentação alcoólica aconteçam ao mesmo tempo, reduzindo as chances de deterioração do vinho. Ele também produz menos químicos, responsáveis pelos odores anormais, dores de cabeça e enxaquecas.
Apesar de existir desde 2006, só agora o fermento foi aprovado pelos orgãos da saúde do Canadá e dos Estados Unidos. Porém, eles ainda aguardam aprovação das autoridades européias, sempre muito exigentes. Diferente da Europa, as leis do Canadá e Estados Unidos não os obrigam a informar, na etiqueta do vinho, a presença de ingredientes geneticamente modificados.
Será que as dores de cabeça chegaram ao fim?
Via Decanter News.
Helena Mattar dá dicas para conservar vinho em casa
ANA PAULA BONI
DE SÃO PAULO
Atualizado às 19h46.
A sommelière Helena Mattar dá dicas sobre como guardar vinhos em casa. Formada pela Cordon Bleu de Paris, ela é a responsável pela carta do restaurante Vito, na Vila Madalena, que conta com cerca de cem rótulos.
| Jefferson Coppola/Folhapress |
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| Formada pela Cordon Bleu de Paris, Helena Mattar é a responsável pela carta do restaurante Vito, de São Paulo |
Folha – Vale a pena ter adega (a máquina) em casa?
Helena Mattar - Adegas costumam ser bem caras e, por isso, acabam sendo um investimento. Mas vale muito a pena para aqueles que apreciam vinhos, bebem com frequência ou exigem um vinho bem armazenado e preservado.
Mesmo se a pessoa não vai guardar a garrafa por uns três anos?
Vale! A cada dia que passa, mais e mais vinhos são feitos para serem consumidos ainda jovens. Vinhos de guarda são extremamente caros, principalmente no Brasil. Por isso, é cada vez mais raro ver pessoas comprando em grandes quantidades. A adega ajuda na organização, poupa espaço na geladeira e mantém o vinho na temperatura ideal de consumo. Lembrando que o vinho é uma bebida “viva”, em constante evolução. Uma temperatura muito baixa ou muito alta prejudica o seu desenvolvimento.
Quais garrafas e/ou tipos de vinho devo ter na minha adega?
Cada adega armazena um número de garrafas. Ultrapassar muito esse número e abarrotá-la não é muito legal, pois ela terá que trabalhar além da sua capacidade para manter a temperatura. Quanto ao tipo de vinho, vai do gosto de cada um. Recomendo manter na adega os vinhos especiais que requerem cuidado e aqueles que se pretende consumir nas próximas semanas, pois assim já estarão na temperatura ideal.
Posso misturar vinhos brancos e tintos na mesma temperatura?
A prática comum é deixar a adega regulada entre 14ºC e 16ºC, que é a temperatura de consumo dos vinhos tintos. Guardar os brancos nesta mesma temperatura não tem problema nenhum. Porém, eles deverão ser resfriados em um balde de gelo antes do consumo, já que devem ser servidos a 8ºC.
Se não tenho adega e o vinho está na temperatura ambiente, por quanto tempo devo deixá-lo na geladeira ou no congelador antes de servi-lo?
É difícil dizer um tempo exato, pois depende da temperatura externa e do refrigerador. Mas podemos dizer que, em média, 35 minutos no freezer ou 50 minutos na geladeira. Caso coloque no freezer, cuidado para não esquecê-lo! Um vinho congelado é a última coisa que você quer. Lembre-se apenas de que baldes de gelo podem ser uma terceira opção. Dica: compre um termômetro daqueles que envolvem a garrafa. Pode ajudar muito aqueles que não têm e/ou não pretendem ter uma adega.
Se eu não vou tomar toda a garrafa, posso guardá-la por quanto tempo na geladeira?
Não por muito tempo, pois a grande maioria dos vinhos é extremamente sensível. Acredito que do almoço até o jantar ou do jantar até o próximo almoço ele pode aguentar. Recomendo as rolhas a vácuo, que ajudam a preservá-lo melhor e por um pouco mais de tempo.
Devo deixá-la deitada ou posso mantê-la de pé na porta da geladeira?
Vinhos devem ser sempre estocados na horizontal, seja na adega, na geladeira ou na despensa. O líquido deve sempre estar em contato com a rolha. Caso contrário, ela pode vir a ressecar e deixar que o ar entre, oxidando o vinho. Caso o vinho já esteja aberto e seja mantido por apenas algumas horas, não tem problema ele ficar de pé. A exceção são os vinhos com tampa de rosca.
Como saber se o vinho estragou depois de aberto e mantido na geladeira?
Tente perceber se seus aromas e gosto mudaram. Caso estejam avinagrados ou próximos ao de um vinho do Porto, significa que ele estragou.
Helena Mattar dá dicas para conservar vinho em casa
Sair para comprar vinhos é um programa super gostoso. O legal é ir com calma para fuçar bem , olhar os rótulos, ver o que tem de novidade, comparar preços e, eventualmente, fazer alguma degustção.
Em uma loja tudo conta, desde os rótulos disponíveis até os atendentes, passando pelo design do local. Assim, a loja suiça Albert Reichmuth Wine Store contratou a empresa de design OOS para transformar seu espaço em uma galeria de vinhos. O layout foi pensado de modo que as garrafas falem por sí só. As mais especiais estam dispostas em suas respectivas caixas e outras 1500 caixas de vinhos franceses decoram o local e comportam 570 vinhos e alguns livros. Além da venda de vinhos há também degustações e palestras.
Vai dar um vinho de presente e não tem embrulho? Neste vídeo você aprende, em apenas 47 segundos, como fazer um belo presente usando apenas um pano. Mãos à obra!!
Quando ganhei o livro Been Doon So Long- A Randhall Grahm Vinthology do meu amigo updater Wagner Brenner, não tinha ideia do que se tratava. De cara, achei um livro bem bonito, mas só. Aos poucos fui desvendando o que se mostrou um livro peculiar e bem interessante. Seu autor, Randhal Grahm, é um irreverente enólogo californiano criador do Bonny Doon Vineyard e tido por muitos como visionário.
Com um prefácio de ninguém menos que Hugh Johnson, o livro traz paródias hilárias de grandes literaturas -Kafka, Dante e James Joyce entre outros. Além disso, traz poemas e músicas conhecidas ao redor do mundo. O livro é diversão garantida e está a venda na Livraria Cultura por R$ 80,04, conforme o link.
Abaixo, “Your Wine”, uma das muitas letras que fazem parte de Born to Rhône, uma ópera rock. Para acompanhar (tipo um sing along!), clique no link que te levará a música na qual é baseada: “Your Song”, de Elton John:
YOUR WINE
It’s a little bit funny, the contents inside
It’s not one made from grapes that are frozen or are dried
It doesn’t cost much money, but boy if it did
I’d build a big winery where I’d indulge my id
If I were George Vernay, no, make that Alain Graillot
Or a rich vigneron who had beaucoup de tonneaux
I know the wine’s quite sweet, but it’s the best I can do
The grape is Viognier, and this is one is doux
And you can tell everybody how cool is this wine
It may be a little simple, but it’s not too mainline
I hope you don’t mind
I hope you don’t mind that certain je ne sais quoi
Or how great it pairs with a slab of foie gras
The grapes sat on the vine, nearly gathering moss
A few of the funkier bunches we just had to toss
But the sun was quite warm, with the grapes getting ripe
It’s for becs fins like you, who enjoy wines of this type
So excuse me forgetting, but these things I do
You see I’ve forgotten if the leaves are lobed or entire
Whats in a name anyway? What I really mean
This is the sweetest wine from this vinifier
Depois de ler sobre os vinhos da Viña Progresso na coluna do Glupt e na Folha de São Paulo fiquei muito curiosa para experimentá-los. Criados pelo uruguaio Gabriel Pisano, parte da nova geração da tradicional família Pisano, eles são feitos artesanalmente e através da técnica de fermentação em barricas abertas, técnica trazida por ele do Priorato. Para complementar os vinhos que já são super cool, a etiqueta é pra lá de bacana. As artes são feitas por Elisa Pisano e trazem seus próprios sonhos (por isso o nome de um dos vinhos ser Sueños de Elisa).
Pude experimentar apenas o Tannat 2008, mas já fiquei bem satisfeita! Já de cara um vinho intenso de cor ruby bem profunda. No nariz, muitas frutas vermelhas e negras bem maduras, resultado das colheitas mais tardias. Também é possível sentir um bocado de álcool, mas nada que incomode. Na boca, uma explosão de frutas graças às longas macerações em pequenos tanques. Um vinho bem estruturado e potente (14% de álcool), com taninos marcados. Um vinho de personalidade forte, como a que aparenta ter o mais novo enólogo da família Pisano. É como resumiu Luiz Horta “Gabriel inventou o Tannat macio, já pronto para beber(…)”.
Seus vinhos são importados pela Vinci e este Tannat 2008 sai por R$ 48,43 (veja aqui). Um excelente custo-benefício!








