Durante as minhas férias, em que passei por Berlim, Praga e Budapeste, bebi vinho sempre que possível. Nesta última cidade acabei passando por uma situação um tanto engraçada. Procurando um restaurante de comida tipicamente húngara, fui a um lugar (cujo nome me foge a memória) simples, mas tradicional e simpático, indicado pelo Guia Routard.
Sobre a mesa havia uma plaquinha que sugeria uma taça de vinho rosé feito da cepa kekfrankos bem frutado e refrescate, servido a uma temperatura de 12oC. Como era verão, a sugestão me apeteceu um bocado. Quando minha esperada taça chegou, vi que o vinho era realmente leve e frutado, mas ele estava quente. Quer dizer, a temperatura ambiente, o que não era tão refrescante assim.
Chamei o garçom e expliquei, em inglês, que o vinho estava estava quente. Ele, um pouco atrapalhado (saibam que achar garçons que falam inglês em Budapeste é algo bem difícil), repetia “Hot?”. E eu repetia: “Yes, it’s hot. I want another one”. E posso afirmar que depois de quase uma década de aulas de inglês e seis meses morando na Inglaterra meu inglês é bem compreensível. Ficamos nessa discussão uns minutinhos e, enfim, ele levou minha taça.
Fiquei olhando ele entrar atrás do balcão. De repente, vejo ele soltar um jato de vapor quente da máquina de café! Fiquei repetindo pra mim mesma que ele deveria estar tirando o cafézinho de algum outro cliente. Mas infelizmente eu estava enganada. Dois minutos depois, ele volta, agora com a minha taça toda condensada e…. quente! Ele havia entendido que eu queria esquentar o meu vinho!
Quando fiz cara feia e pedi para ele trocar pelo anterior, ele voltou para a cozinha com a maior cara de interrogação, puto da vida achando que eu era uma turista doida. Até hoje me pergunto se eu bebi um vinho cuspido. Provavelmente.